CAMISA 12 Timbu
S i t e    i n f o r m a t i v o    e    i n t e r a t i v o    d o s    v e r d a d e i r o s    t o r c e d o r e s    t i m b u s    q u e    s ã o    o r g u l h o s a m e n t e    e    i n c o n d i c i o n a l m e n t e    N á u t i c o .

Camisa 12 Timbu - O 12° jogador do Náutico
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Espaço Crônicas
Quem pensou que seria fácil?
Publicado em 01/10/2009 às 22:08:06hs
Por Yomar Ferreira
O Clube Náutico Capibaribe há um tempo atrás foi um clube grande no cenário do futebol nacional.
Estamos falando da década de 50 e 60, quando o futebol era arte, paixão e amor ao clube, não envolvia fortunas como na atualidade.
Já na década de 70, início da decadência do pólo açucareiro em nossa região, as diferenças sociais e econômicas demarcaram sobremaneira as fronteiras dos estados ricos e pobres de nossa nação. O Náutico nesta década conseguiu apenas 1 título estadual, em 1974. Depois disso, o clube só voltou a ser campeão estadual dez anos mais tarde, conseguindo o bi em 85 e outro título em 1989.
Nesta época o futebol já iniciava o processo de profissionalização, de cifras milionárias e os clubes que estavam nos principais centros do país passaram a crescer e se destacar dentro e fora do país do futebol. A mesma correlação acontecia entre a América do Sul e os países mais ricos, que passaram a levar os craques do Brasil, Argentina, Uruguai, que se destacavam nas Copas do Mundo e nas competições internacionais para jogar em seus clubes.
No Brasil os estados do Sul e Sudeste já comandavam o futebol nacional "jogado" dentro e fora de campo, com as TV's instaladas no sudeste do país, dando total apoio a todo este processo de centralização do futebol. Regiões como Norte, Nordeste e Centro-Oeste eram mero coadjuvantes, com o primeiro ficando assim, ou pior que isso, até os dias de hoje.
Para piorar o panorama no estadual, um dos rivais Pernambucanos ainda conseguiu, naquele momento, ser sorteado com uma lambança sem precedentes da confederação que comanda o futebol do país: um título nacional sem sequer entrar em campo contra os melhores times da época. De quebra, ainda conseguiu uma "vaguinha descoberta" num grupo que, de forma imperativa, mais tarde viria a comandar a venda dos direitos de imagem do futebol nacional: O clube dos treze, que hoje são vinte.
Já o Náutico, que ainda curtia a ressaca comemorativa dos tempos áureos, quando chegou a conquistar seis títulos estaduais consecutivos, foi vice campeão no maior torneio nacional, tendo com isso chegado ao maior torneio do continente, a Libertadores das Américas, deixou o bonde passar sem sequer "morcegar" dependurado na porta do teleférico, assistiu a tudo de camarote sem prever o futuro.
Este tempo de relaxamento do clube foi vital para o que colhemos hoje, migalhas.
Na década de 90, o Náutico foi engolido pelo rival que conseguiu uma fatia do bolo no clube dos treze e saiu conquistando a maioria dos títulos estaduais sem que conseguíssemos conquistar um título sequer. Em 1999, em nossa pior fase, chegamos a cair para série C. E apenas em 2001, ano de seu Centenário, o Náutico voltou a dar uma alegria a sua torcida aflita, quando conseguiu vencer o título estadual e, de quebra, tirar a chance do maior rival de igualar o feito de ser hexa-campeão, até hoje o símbolo maior do clube, que estampa seis estrelas em seu escudo.
No cenário nacional o Náutico havia sumido. Poucos velhinhos lembravam daquele time vermelho e branco do nordeste que despachou o time de Pelé e Cia e perdeu o título nacional para o Palmeiras numa melhor de três por conta de uma poça de lama.
Apenas em 2006, após 12 longos anos de luta, o Náutico conseguiu voltar à elite do futebol mais competitivo do mundo, mas isto não acabou com a diferença econômica entre os clubes em relação à região onde eles se encontram, tão pouco apagou a marca de 3 décadas sem aparecer no cenário nacional. Afinal, um clube que acabou de ascender à série A, da pobre região do Nordeste Brasileiro, não poderia, nem teria como conseguir o patrocínio de clubes que estão a tanto tempo na elite do futebol e que diariamente aparecem nas mídias do Sul e Sudeste do País, o maior centro consumidor do Brasil. Cotas de participação e valores de patrocínios são diferenciados, por isto hoje vemos tantos clubes emergentes como São Caetano, Barueri, Avaí, Figueirense, Goiás, Atlético Paranaense, Coritiba e tantos clubes novos em relação ao nosso Náutico, com estruturas físicas e com patrocínios bem mais fortes do que temos estampado na camisa do nosso clube ano a ano.
Obviamente no futebol também se exige jogo de cintura, politicagem, estratégia, pulso firme, competência e, não menos importante, sorte em decisões tomadas por dirigentes que comandam os clubes. Mas tudo isso seria nada se o clube não tiver dinheiro em caixa para acertar os ponteiros quando necessário.
A ascensão do Náutico à série A não foi fácil, mas muito mais difícil é manter-se entre os 20 clubes com melhor campanha do país. Ao subir todos nós sabíamos disso, era unanimidade que iríamos brigar para nos manter por três anos e só então conseguiríamos o algo a mais para quem sabe começarmos a fortalecer nosso clube e voltar a fazer algo de expressão no cenário nacional.
Mas já no primeiro ano os mais afobados gritavam palavras de ordem porque o time não fez boa campanha. No segundo ano, nova luta e mais uma vez escapamos por um cabelo de sapo. E este ano quase nada deu certo. Foram muitas contratações comemoradas e poucas que deram alegrias ao torcedor timbu. Agora, quando o time parecia se encontrar, o financeiro voltou a falar mais alto e o clube precisou se desfazer do artilheiro do time na temporada para cobrir as contas, resultado: mais um ano lutando para permanecer na elite do futebol penta campeão mundial. Mas e aí? Quem disse que seria fácil?

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